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Bornhausen: Governo federal virou as costas para Santa Catarina
Adriana Baldissarelli - Coluna Pelo Estado - Diários do interior
01/02/2010
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QUEM É Deputado federal por SC, candidato a líder da bancada do DEM.
O QUE FEZ Dedicou a primeira parte do mandato a propostas de “alívio tributário” como a campanha “vitoriosa” pelo fim da CPMF.
O QUE FARÁ Pretende jogar ainda mais força nos projetos de criação da carreira e fundos para a Defesa Civil nacional e concorrer à reeleição.
A ENTREVISTA
[Pelo Estado] – O sr. volta às atividades na Câmara dos Deputados como candidato à liderança do Democratas. Quais são suas chances nessa disputa?
Paulo Bornhausen – No dia 2, o Democratas elege seu novo líder. Eu trabalhei, ao longo dos últimos meses, com os 56 deputados no sentido de captar deles o desejo e como veem o partido nesse ano eleitoral. Coloquei meu nome à disposição, recebi apoios, diria que tenho hoje apoio da maioria da nossa bancada, portanto, vou com muita tranquilidade. Até agora sou o único inscrito, mas a inscrição vai até o meio-dia do dia da eleição, então vamos aguardar os fatos. Ainda acredito que não deverá haver disputa no partido, deverá ser feita por consenso a escolha do líder.
[PE] – O sr. chegou a falar com Abelardo Lupion que seria o segundo concorrente?
PB – Não, não falei com nenhum concorrente porque não tem ninguém inscrito, só eu. Tenho conversado com o presidente do partido (Rodrigo Maia), com o líder (Ronaldo) Caiado, que são as duas pessoas que estão conduzindo o processo. Sou o primeiro vice-líder, então tem um quê de naturalidade na sucessão. Agora, é legítimo qualquer deputado do Democratas colocar seu nome para ser líder. Disputar a liderança não significa nenhum processo traumático, mas apenas levar ao pé da letra o regimento do partido: quando existe mais de um candidato para uma vaga de líder, deve haver a escolha pela bancada.
[PE] – O ano vai ser quente...
PB – Ah, com certeza, ano de eleição é ano curto. O ano se decide até junho. A importância desse ano para a liderança é exatamente a conciliação das eleições gerais, já que muitos dos deputados concorrem à reeleição ou a outros cargos em seus estados. É necessário que se tenha uma postura de partido que no mínimo não atrapalhe, e se possível, ajude as eleições locais. Um bom discurso, um bom posicionamento pode ser transferido em apoio da população aos nossos candidatos a governador, senador, deputados federais, estaduais e ao presidente da República. Este é o segundo ponto, é o ano das conversações, os partidos que vão estar, como nós, na oposição formando junto com o governador José Serra uma candidatura a presidente da República têm grandes decisões. É a formação da chapa, a estratégia de campanha, e o líder ocupa um espaço fundamental, de interlocutor do candidato a presidente e da formatação e formulação das propostas que serão levadas à população.
[PE] – O DEM tem entrado com ações contra Lula e Dilma por campanha antecipada. Este processo vai se intensificar?
PB – Não é só se intensificar, a lei tem que ser para todos. Ora, o presidente da República é um repetidor de transgressões, é um transgressor contumaz. Ele faz palanque junto com a candidata Dilma todos os dias, em todos os momentos, todos os segundos, da hora em que acorda a hora que dorme. A Justiça só pode se pronunciar se for instada. Não é possível que, com dinheiro público, o presidente da República faça campanha, porque é contra a lei. É uma parceria público privada utilizando avião oficial com combustível pago pelo povo, palanques montados com dinheiro público, eventos que são patrocinados pelo governo federal com verba de propaganda e publicidade. Então cabe aos partidos de oposição fazer diuturnamente esta função de instar a Justiça para que se coíba este tipo de abuso. O presidente da República é abusado quando faz isso, se sente acima da lei e, numa democracia, ninguém pode estar acima da lei, nem o presidente.
[PE] – Em geral, foram insuficientes as aplicações do governo federal em SC?
PB – O governo federal virou as costas para Santa Catarina. Fez muita inauguração de placa e pouca realização. Ao ponto de listarem como a maior obra de recuperação das enchentes a liberação do FGTS dos trabalhadores do Vale do Itajaí. Que é um dinheiro deles. O governo não fez mais do que a obrigação, a lei manda liberar. Vamos virar oito anos de governo sem terminar a BR-101 Sul, sem duplicar a 470, nem a 280, com os portos de São Francisco e Itajaí estrangulados. Eu diria que o pouco que se fez em SC é muito pouco perto daquilo que precisávamos. Então o presidente da República e sua candidata, os seus candidatos no Estado de SC vão ter de explicar para a sociedade aquilo que não foi feito e que compromete o futuro de SC. Obras de infraestrutura, ações que deveriam ter sido feitas ao longo do tempo que teriam que ter sido feitas e não foram. Eu diria que esse é o grande gargalo do governo federal para SC. E o PAC para SC foi o que é para o Brasil, uma propaganda política antecipada tentando nomear alguém para presidente da República e que não vai colar.
[PE] – O PAC 2, vai dar tempo?
PB – Se o primeiro PAC era uma ficção científica, o segundo é um avatar... A personagem vai aparecer com aquela cara verde... Eu não gosto de brincar com coisa séria, mas de triste chega a ser hilário.
( Associação dos Diários do Interior - site: http://www.adisc.com.br - e-mail: colunaadi@cnrsc.com.br )
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