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Merísio: “Em ano eleitoral o debate político é mais acalorado”
Adriana Baldissarelli - Coluna Pelo Estado - Diários do Interior
08/02/2010
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O deputado Gelson Merisio aposta numa condução transparente da Alesc em temas “delicados, espinhosos ou polêmicos” como a autorização ao Tribunal de Justiça para processar o vice-governador Leonel Pavan.
[Pelo Estado] – Qual foi a resposta que a Assembleia quis dar à sociedade ao autorizar o TJ a processar o vice-governador?
Gelson Merisio – Nós temos um rito que estabelece a tramitação na Casa de processos que autorizem o Tribunal a julgar autoridades do Poder Executivo, governador e vice, e deputados. Exatamente para evitar um grande número de processos sobre coisas pequenas que poderiam ser julgadas depois do fim do mandato, como cidadãos comuns, mas que poderiam causar desconforto a quem comanda o Executivo no momento. No caso concreto, há um clamor popular, uma dúvida na sociedade que precisa ser rapidamente dissipada. Por isso a Assembleia, que é uma caixa de ressonância, de forma muito rápida criou as condições para que o vice-governador – é interesse dele expresso inclusive em uma carta – possa fazer sua defesa e, sendo feita e entendida pelo Tribunal de Justiça e pela população, possa recuperar suas condições políticas e administrativas para continuar sendo o vice-governador do Estado.
[PE] – Não é o que tem ocorrido no País, como no Distrito Federal. O sr. acha que a sociedade catarinense espera tipo de posicionamento diferenciado...
GM – Santa Catarina é um Estado politizado. A cobrança nas ruas e o nível de conhecimento da média dos eleitores são bem diferenciados do resto do Brasil. Aqui temos que estar afinados com o momento da opinião pública, temos que respeitar muito a opinião pública, até porque a cada dois anos temos eleições e há uma imprensa de qualidade, com capilaridade em todos os cantos do Estado. Essa cobrança se torna insustentável a quem não tiver transparência e não estiver afinado com a sociedade.
[PE] – Ainda que o julgamento tenha voltado ao TJ, vai haver uma condição política relacionada à posse do vice. Como deve ser encaminhado o assunto?
GM – Na verdade, não gostaria de projetar fatos, até por uma questão de respeito ao próprio vice-governador que está na plenitude da sua função. Temos hoje um governador eleito, no pleno exercício do seu mandato, e um vice também nas mesmas condições. Para haver a posse há primeiro que haver um gesto que é único e próprio do governador, de renúncia ou de licença. É uma decisão pessoal dele, não participamos de nenhum compromisso, de nenhum acordo sobre se vai ser dia tal ou não vai ser. Essa é uma prerrogativa do governador. Se tiver algum entendimento com o vice e este estiver na plenitude dos seus direitos políticos, como está hoje, é evidente que tem de assumir. A norma constitucional tem de ser cumprida, mas, como pressupõe ainda um gesto do governador, não nos cabe especular. Ele também está observando os fatos, fazendo uma leitura da sociedade, tem conversado frequentemente com o vice-governador. Devem estar avaliando isso em conjunto e não nos cabe opinar, apenas acompanhar os fatos e, depois das decisões tomadas, nos posicionarmos de uma forma política.
[PE] – Quais as movimentação que o sr. acha vão ocorrer neste ano eleitoral?
GM – Um ano eleitoral é um ano em que o debate político é mais acalorado. As questões são superdimensionadas quando tratam do político. É normal que seja assim. No que diz respeito à atuação da Casa, vou proceder sempre como fiz neste processo do pedido de autorização que é submeter todas as matérias delicadas, espinhosas ou polêmicas ao plenário. O plenário é soberano e sobre isso não tem nenhuma dúvida quanto ao seu resultado. Pode-se questionar o posicionamento pessoal de cada parlamentar, mas não a forma e o rito de encaminhamento que é o que me cabe.
[PE] – Interessa à base parlamentar manter a aliança DEM, PMDB e PSDB?
GM – Cada partido faz uma avaliação. Para nós do Democratas, na eleição passada tivemos uma coligação proporcional com o PMDB que foi boa, elegemos seis deputados estaduais e o PMDB elegeu 11. Não vejo nenhum motivo para ela não se realizar novamente. Quanto maior a aliança, mais cadeiras se disputa. Agora, tem que se entender também o interesse dos outros partidos. O momento adequado para essa avaliação é junho, quando se terá o número certo de candidatos por partido e o potencial de cada um. Nosso entendimento é de que quanto maior a aliança, melhores ficam as condições de disputa.
PE] – E para a majoritária?
GM – Tínhamos um caminho delineado e tivemos um fato superveniente que é este episódio com o vice. Temos que aguardar os fatos se estabilizarem para encontrar caminhos novos que nos levem a uma condição de vitória, a uma condição de governabilidade, a um resultado bom para todos. Se este caminho é com a tríplice aliança, e acredito que seja, é para isso que vamos trabalhar, vamos perseguir este destino. No entanto, se não for possível, as candidaturas próprias são uma possibilidade, e temos que acompanhar isso pari passu.
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